9 de junho de 2011

A MORTE DE DEUS


O homem moderno, o mais hipócrita de todos os seres éticos, talvez seja culpa da ciência moderna que tráz intrínseco uma vocação ateísta. Esse homem moderno é dúbio. Ele quer uma coisa e ao mesmo tempo quer o contrário dessa coisa, no instante que busca emancipação quer o abrigo e a proteção de um absoluto ”qualquer”. Isso nos leva a crer que Deus está morto, e que Nietzsche está fundamentalmente correto quando anuncia que o homem moderno matou Deus. A ciência moderna não combina com Deus, o mesmo homem que clama ao ser supremo está sob o signo da razão esclarecida, a razão da autodeterminação, da autonomia, que abomina qualquer tipo de vassalagem e/ou subordinação. Precisamos acreditar no absoluto, mas para que acreditar se Nietzsche fala que a ciência é capaz desvendar, bem como corrigir todos os enigmas da existência como acreditar no absoluto sem nos aproximar de Deus? O homem que busca em Deus a redenção é o mesmo homem que mata a África sorrateiramente. Apenas atribuído à culpa e assistindo de camarote os mazelados catarem lixo para se alimentarem enquanto os abutres sobrevoam ansiosos pelo seu desdém. Enquanto isso comemos no Mcdonalds e levamos nossos filhos para passear em parques de diversões, shoppings etc. Do outro lado, nossas raízes morrem subitamente - crianças comem lixo, se fazem de soldados, seguram armas quase sempre mais pesadas que sua própria massa corporal como se fossem adultos. Concomitantemente vêm suas famílias arruinadas pela guerra civil. Enquanto isso aplaudimos um belo show de piadas, e a vida real perpassando sigilosamente aos olhos de quem só enxerga o próprio umbigo. De quem é culpa? De Deus, ou do sistema capitalista? Que Deus é esse que só olha para os burgueses? A burguesia pode tudo, até criar o Deus da modernidade, um Deus que deixa sobre nossas responsabilidades julgar os merecedores de suas glórias e virtudes! Definitivamente isso nos leve ao desfecho trágico, pois o homem hedonista não admite suserano é preferível matá-lo para tornar-se o Deus único. É bem mais fácil agradar o abstrato do que o real, tal qual não sairá do abstrato, tão quanto nossas vontades. Deus é segurança, possivelmente todos que crêem têm certas certeza, e certeza em si é segurança, adversidade incerteza, ato totalmente distante do autognose [...] Deus morreu! Deus continua morto! E nós o matamos! Como nos consolaremos, nós, os assassinos dos assassinos? É muito evidente, até arrisco me intitular o mais crédulos de todos os incrédulos, ora! Tão logo preciso acreditar em algo existencial, para que possa duvidá-lo, caso contrário estaria sendo tão dogmático em defesa da negação de um Deus universal, onipotente, quanto o eminentemente teístaÉ claro que sou teísta, mas apenas forçado pelas circunstâncias, somente porque sou honesto em face de vossos argumentos, porém não tenho intenção de me considerar prisioneiro com tanta rapidez e tão completamente a ponto de sentenciar e/ou exaltar outro ser pensante, assim como fazem os crédulos que conversam diretamente com Deus. Esses sim! São seres terráqueos bem providos de dom, e sem sombra de dúvidas devemos respeitá-lo, pois quando Deus for sepultado eles o substituirão


 Por  Anderson Santos

Nenhum comentário:

Postar um comentário