25 de junho de 2011

TRAÇADO HEGEMÔNICO


Nós brasileiros natos indubitavelmente tivemos uma formação equívoca como cidadãos. Desde 1891 quando o Brasil se torna república, exaurindo, “de uma vez por todas” o "intervencionismo europeu” que a sociedade civil é cruelmente castigada, segregada, e, sobretudo tendo seus direitos ceifados, restando-lhes unicamente o papel de exímios espectadores de uma competição de queda de braços entre idéias e correntes filosófica antagônicas, cujo resultado era categoricamente cíclico. O sistema mais forte levara sempre a melhor. Não é tão simplório assim resolver tal problemática. Isso é um percalço que passa bem longe de infra-estruturação - o que precisa-se, é de uma supra-estrutura sólida e cristalizada. Não há alternativas senão passar uma borracha no passado, o que de fato comprometeria ainda mais nosso presente contínuo, tão logo se pressupõe que fosse mudado apenas algumas partes desse processo histórico. Tampouco não se pode negar que as construções se dão nos processos de desconstrução. Sem sombra de dúvida, o Brasil é um Estado incipiente, todavia não se parte dessa premissa quando se discute o presente, pois o passado obscuro, e sujo é muito mais relevante e representativo na construção do processo histórico.


Por- Anderson Santos

RUMO DA PESQUISA

São grandes alocações de recursos direcionados a pesquisa como solução, esperança e aperfeiçoamento dos diversos segmentos da sociedade, seja ela nas ciências da natureza, nas ciências exatas e nas ciências humanas, e simplesmente o que se ver, é uma pequena parcela da sociedade que usufrui das benesses da pesquisa. Destacando-se as ciências sociais que se apropria das refrações das questões, para produzir pesquisa. E o que a sociedade recebe em troca? Novas nomenclaturas? Ao passo que a sociedade produz uma quantidade e variedades sempre crescentes de bens de materiais, simplesmente não dispomos ainda de base cientifica adequada para solução de problemas sociais. Dentro dessa óptica, cresce desenfreadamente o número de pesquisa rumo à produção de novas tecnologias, sem que as ciências sociais alcancem a rolagem dessa esteira.  O que tem se presenciado, é facilmente a burguesia se apropriar da ciência, e simplesmente, a ferramenta da libertação torna-se um poderoso instrumento de opressão. Unicamente é possível fazer ciência com pesquisa. Que pesquisa é essa? Qual o sentido da pesquisa?  Dentro do sistema capitalista a pesquisa perde sua essência?

9 de junho de 2011

TOQUE DE ACOLHER



O toque de recolher nada mais é do que um escamoteamento do cenário social real. Essa medida não passa de mais um paliativo, tal como tantas outras que nosso país se utiliza para ausentar-se de seus verdadeiros compromissos. É duro aceitar, porém, em nosso país é “normal” ter pessoas, e, sobretudo crianças e adolescentes habitando os logradouros públicos como moradia. Às vezes não só por não ter onde morar, mas também como subterfúgio e respostas aos conflitos que ocorrem no próprio ceio familiar. E é justamente dentro do âmbito familiar que deveria está à solução para boa parte desses problemas, e não em medidas “repressivas” como o toque recolher/acolher Eis uma questão para os companheiros que são favoráveis ao toque recolher/acolher se perguntem! O que fazer com as crianças e adolescentes que forem pegos, que não residem na cidade? O que fazer com as crianças e adolescentes que sofrem abusos na sua própria casa seja esse abuso sexual, psicológico, físico? O que fazer com as crianças e adolescentes que por algum motivo não mais freqüenta a escola? O que fazer com as crianças e adolescentes que praticam, ou já praticam infrações? O que fazer com as crianças e adolescentes abandonados? Dentre tantos outros questionamentos que foram feitos, de fato não poderíamos deixar de citar nossa carta maior que é a Constituição Federal, e nosso Estatuto da Criança e Adolescente, SINASE, enfim todas as ferramentas de garantia dos direitos da criança e do adolescente. Conforme o Art. 227 da CF. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
§ 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança e do adolescente, admitida a participação de entidades não governamentais e obedecendo aos seguintes preceitos: I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na assistência materno-infantil; II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para os portadores de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente portador de deficiência, mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de preconceitos e obstáculos arquitetônicos.
Art. 4 do ECA Art. 4o É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. ECA Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários ressalvados as restrições legais;
II - opinião e expressão;
III - crença e culto religioso;
IV - brincar, praticar esportes e divertir-se;
V - participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação;
VI - participar da vida política, na forma da lei;
VII - buscar refúgio, auxílio e orientação.
Tão logo, subentende-se que esta medida é um desrespeito as crianças e os adolescentes sujeito de direito. E pior ainda! É como se estivéssemos remetendo as idéias obscuras de outrora quando as crianças e os adolescentes eram vistos como “objeto de intervenção” do Estado, e não como cidadãos de direito conforme reza a CF, e prevê o ECA, 1990.Nós cidadãos de direito não podemos ficar omissos a tal ponto para admitir a retroação desta sociedade democrática de direitos. A todos indivíduos que são favoráveis ao toque de recolher/acolher, peço-lhe que façam uma reflexão minuciosa do referido assunto, pois medidas paliativas nunca foram, e nunca serão a solução para problemas estruturais como esses, precisamos sim, atuar no âmago da deficiência, tendo como prioridade a efetividade das políticas públicas voltadas para as crianças e adolescentes do nosso município. De fato precisam-se voltar às atenções para a matricialidade familiar, trabalhar a rede socioassistencial em parcerias com as instituições de ensino público, bem como atuar na promoção cursos técnicos, cursos profissionalizantes, incentivos a cultura o esporte etc. Pergunto-os! Não seria muito rentável que todos os Municípios, Estados e União fortaleçam as Redes de Proteção Social, rede os Sistemas de Garantia de Direito, incluindo Conselhos Municipais da Criança e do adolescente, Conselhos Tutelares, Varas da Infância e Juventude, Promotorias e Delegacias especializadas, do que adotar medidas déspotas?

Por- Anderson Santos

O ERRO

Erro do empirismo consiste no seu intento de reduzir o racional a fático; a razão a puro fato. Porque há uma contradição fundamental nisso: se a razão se reduz a puro fato, deixa de ser razão; se o racional se converte em fático, deixa de ser racional, porque o fático é aquilo que é sem razão de ser, enquanto que o racional é aquilo que é razoavelmente; quer dizer, não podendo ser de outra maneira. Por conseguinte, viu imediatamente com clareza, que o defeito fundamental de todo psicologismo, ao considerar o pensamento como vivência pura, é que o racional se converte em puro fato, quer dizer, deixa cair sua racionalidade como um adminículo inútil. Porém não existe nada mais contraditório que isso: que o racional deixe cair sua racionalidade, porque então o que resta é o irracional tão logo o erro estaria na linguagem que exprime defeitos, e não necessariamente na ordem das coisas.


Por- Anderson Santos

A MORTE DE DEUS


O homem moderno, o mais hipócrita de todos os seres éticos, talvez seja culpa da ciência moderna que tráz intrínseco uma vocação ateísta. Esse homem moderno é dúbio. Ele quer uma coisa e ao mesmo tempo quer o contrário dessa coisa, no instante que busca emancipação quer o abrigo e a proteção de um absoluto ”qualquer”. Isso nos leva a crer que Deus está morto, e que Nietzsche está fundamentalmente correto quando anuncia que o homem moderno matou Deus. A ciência moderna não combina com Deus, o mesmo homem que clama ao ser supremo está sob o signo da razão esclarecida, a razão da autodeterminação, da autonomia, que abomina qualquer tipo de vassalagem e/ou subordinação. Precisamos acreditar no absoluto, mas para que acreditar se Nietzsche fala que a ciência é capaz desvendar, bem como corrigir todos os enigmas da existência como acreditar no absoluto sem nos aproximar de Deus? O homem que busca em Deus a redenção é o mesmo homem que mata a África sorrateiramente. Apenas atribuído à culpa e assistindo de camarote os mazelados catarem lixo para se alimentarem enquanto os abutres sobrevoam ansiosos pelo seu desdém. Enquanto isso comemos no Mcdonalds e levamos nossos filhos para passear em parques de diversões, shoppings etc. Do outro lado, nossas raízes morrem subitamente - crianças comem lixo, se fazem de soldados, seguram armas quase sempre mais pesadas que sua própria massa corporal como se fossem adultos. Concomitantemente vêm suas famílias arruinadas pela guerra civil. Enquanto isso aplaudimos um belo show de piadas, e a vida real perpassando sigilosamente aos olhos de quem só enxerga o próprio umbigo. De quem é culpa? De Deus, ou do sistema capitalista? Que Deus é esse que só olha para os burgueses? A burguesia pode tudo, até criar o Deus da modernidade, um Deus que deixa sobre nossas responsabilidades julgar os merecedores de suas glórias e virtudes! Definitivamente isso nos leve ao desfecho trágico, pois o homem hedonista não admite suserano é preferível matá-lo para tornar-se o Deus único. É bem mais fácil agradar o abstrato do que o real, tal qual não sairá do abstrato, tão quanto nossas vontades. Deus é segurança, possivelmente todos que crêem têm certas certeza, e certeza em si é segurança, adversidade incerteza, ato totalmente distante do autognose [...] Deus morreu! Deus continua morto! E nós o matamos! Como nos consolaremos, nós, os assassinos dos assassinos? É muito evidente, até arrisco me intitular o mais crédulos de todos os incrédulos, ora! Tão logo preciso acreditar em algo existencial, para que possa duvidá-lo, caso contrário estaria sendo tão dogmático em defesa da negação de um Deus universal, onipotente, quanto o eminentemente teístaÉ claro que sou teísta, mas apenas forçado pelas circunstâncias, somente porque sou honesto em face de vossos argumentos, porém não tenho intenção de me considerar prisioneiro com tanta rapidez e tão completamente a ponto de sentenciar e/ou exaltar outro ser pensante, assim como fazem os crédulos que conversam diretamente com Deus. Esses sim! São seres terráqueos bem providos de dom, e sem sombra de dúvidas devemos respeitá-lo, pois quando Deus for sepultado eles o substituirão


 Por  Anderson Santos